Parasitas parte 1

Depois de algumas capturas realizadas com um estranho ser alojado no corpo das mesmas, resolvi pesquisar um pouco pela net e encontrar o dito parasita.
Vulgarmente chamado de pulga por alguns pescadores, recentemente também um colega de pesca em um forum ( pescacomamostras.net ) comentou o aparecimento de parasitas na boca de um dos seus Robalos capturados.
Estes a que me refiro neste artigo como me foi também informado são de diferente espécie mas mais comuns entre as nossas capturas.
Pessoalmente já capturei Salmonetes, Safias, Sargos e por último, numa das investidas que realizei ao mar, um Robalo com 2 destes bizarros parasitas.

Chama-se Cymothoa e existem algumas variedas.
A explicação que se segue foi gentilmente cedida por investigadores do Instituto de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Olá Pedro,

Obrigada pelo seu e-mail e pelo interesse em "desparasitar" os peixes que devolve ao mar.
Para lhe dar mais detalhes acerca deste parasita que encontra com frequência em peixes marinhos, precisaria de o identificar e, portanto, precisaria de um exemplar.
Pela sua foto consigo perceber que é um Crustáceo, mais concretamente um Isópode que, se corresponder à espécie que julgo ser, se fixa no peixe perfurando a sua pele com as patas mais dianteiras.
Este tipo de parasitas alimenta-se do sangue dos hospedeiros fazendo com que estes fiquem debilitados e, em muitos casos, anémicos.
No entanto, só em casos muitos extremos poderá esta parasitose conduzir, directamente, à morte do hospedei; esta é, geralmente, causada indirectamente por bactérias ou fungos que infectam a ferida causada pelo parasita quando este se destaca do hospedeiro, quer no decurso natural do seu ciclo de vida, quer por acção mecânica, pelo que recomendo que não retire o parasita.

Cumprimentos,
Joana

Joana Ferreira Marques, Ph.D.
Instituto de Oceanografia
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa


"Caro Sr. Pedro Batalha,
Recebi a sua mensagem com a imagem do robalo parasitado.

Os parasitas que a imagem mostra são crustáceos, pertencentes ao grupo dos isópodes. Esses parasitas são exteriores e fixam-se aos hospedeiros através das suas patas, cujas extremidades são afiadas e formam umas pequenas garras.

Para uma identificação mais precisa das espécies parasita, seria necessário que dispusessemos dos exemplares.

Este tipo de parasitas é muito comum, podendo a sua incidência ser muito elevada em algumas populações de hospedeiros, como por exemplo os salmonetes, os esparídeos (sargos e similares, douradas, besugos, etc.), ou os xarrocos. Em alguns casos, estes parasitas instalam-se nas brânquias (guelras) dos peixes produzindo feridas mais ou menos sérias. Noutros casos, podem instalar-se dentro da boca, onde ocupam espaço, chegando mesmo a substituir a língua.

Para os retirar sem danificar o hospedeiro, podem ser simplesmente puxados ou podem ser soltos com a ajuda de um instrumento fino (uma agulha ou um arame) que, introduzido entre o parasita e o hospedeiro, possibilite a abertura das patas.

Espero que esta mensagem tenha contribuído para o esclarecimento das suas dúvidas. No entanto, mantenho-me à sua disposição para o esclarecimento de outras que possam surgir.

Com os melhores cumprimentos,

Carlos"

Desde já os meus agradecimentos pela disponibilidade prestada.

Já tentei iscar com este crustáce
o mas não obtive qualquer resultado.
Aqui ficam mais algumas fotos retiradas da net.

Num próximo artigo trarei um outro parasita muito comum em sargos e Douradas.
Abraço
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5 Fazer comentário:

José Gomes Torres disse...

Olá Pedro!
Também já pesquei inumeros peixes com os parasitas que se vêm no robalo da foto.
Curiosamente, nas minhas pescas no Algarve, nunca os encontrei nos robalos, mas são frequentes nas choupas e ferreiras. Também tenho algumas fotos destes parasitas nas choupas.
Parabéns pelo texto, que contribui para aumentar o nosso conhecimento.
Abraço,
GT

Sargollini disse...

Olá Pedro

Mais uma vez, brindas-nos com mais um excelente artigo.

Fiquei foi sem ter a certeza se realmente o melhor será não tirarmos os parasitas aos peixes antes de os libertarmos, uma vez que pelo que a Drª Joana Marques nos diz: é melhor não se retirar o parasita e já o Dr. Carlos não menciona nada sobre esse assunto e inclusive tenta explicar uma forma de se retirar o tal parasita.

Quer dizer, não sei o que fazer com a certeza de estar a fazer o melhor pelo exemplar capturado.

Forte abraço
Sérgio

Fernando disse...

Viva Pedro, este caso que abordas, já me deixou antes com umas certas duvidas, isto porque já apanhei também alguns peixes com este parasita, de uma vez só num ruivo, tirei oito parasitas já de bom tamanho, a questão que te quero colocar é se estes parasitas podem dar problemas a quem consome o peixe, e também acontece frequentemente que ao comprar o camarão congelado, os camarões virem com parasitas na zona das guelras, e são vendidos assim ao publico, será isso correcto?
Grande abraço
Fernando Gil

Pedro batalha disse...

Olá Fernando Gil
Para responder a essa questão transcrevo a resposta dada pela bióloga Joana Marques:

Boa noite Pedro,

Não se conhece nenhum problema associado ao consumo de peixes parasitados por este crustáceo nem associados ao consumo deste crustáceo.

Cumprimentos,
Joana M.

Joana Ferreira Marques, Ph.D.
Instituto de Oceanografia
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Campo Grande
1749-016 Lisboa
Portugal

Daniela disse...

Também já tenho encontrado peixes com estes parasitas, em especial douradas e robalos. Muitas vezes trazem parasitas mais pequenos que ainda não se encontram tão fixados como os grandes. A minha dúvida é se será correcto tirá-los e matá-los, como tenho vindo a fazer, visto tudo contribuir para um equilíbrio no ecossistema.
Fico feliz que não tragam nenhum problema ao consumo, pois poderiam ser portadores de doenças.