Sargos - Jornadas com mar grande

Para quem gosta de pescar à bóia os dias de mar grande acabam por ser inibidores e muitas vezes fazem mesmo desistir de uma jornada que à partida nos faz pensar desde logo ser uma batalha perdida.
Eu pessoalmente gosto de desafiar alguns desses dias e quando as condições estão quase no limiar do impossível explorar as possibilidades que tais condições em determinados pesqueiros podem/ou não proporcionar.
Como a maioria dos pesqueiros aqui na zona são de pouca profundidade os mares grandes trazem na generalidade ondulação rebentada nas zonas de acção de pesca e portanto só nas 2/3 horas de praia-mar se poderá conseguir pescar.
Quando falo em mares grandes refiro-me a ondulação entre 2.5 e 3.5 metros pois mais do que isso impossibilitará a pesca em mais de 90% das zonas de que falo e onde pesco. Importante será salientar que a direcção do mar também tem toda a influência e em pesqueiros que aguetam uma ondulação de 3 metros de NW pode não aguentar 2.5 metros W ou 3.5 metros de S deixarem pescar num local que 2.5 metros de um outro quadrante não o permita. Ainda a amplitude das marés também terá toda a influência dado que numa maré de lua com uma amplitude na praia-mar de 3.5metros é completamente diferente de uma maré de meia lua de por exemplo 2.7 de amplitude em que a pouca água fará com que as condições sejam quase impraticáveis.
Costuma dizer-se que "mares grandes, peixe grande" e eu apesar de não concordar a 100% com essa teoria (pelo menos não se aplica a todos os pesqueiros) concordo obviamente que o mar forte e oxigenadão faz com que os sargos grandes saiam dos buracos para comer e se deixem enganar com mais facilidade.
Mares grandes permitem também a utilização de materias mais "brutos" precavendo desde logo a possibilidade de algum bom exemplar poder sair-nos em sorte. Com ondulação grande por norma temos águas mais tapadonas (nem sempre claro) o que permite fugir aos fluores e fios finos e apostar noutros diametros já que o peixe anda menos desconfiado e come mais à vontade. Conhecer bem os pesqueiros será essencial pois no pouco espaço de tempo que temos para fazer a jornada há que jogar pela certa e aproveitar cada rasada de mar para tentar capturas.
Há ainda que saber interpretar os mares grandes que se forem de enchio para além de serem perigosos poucas são as vezes que proporcionam pescas razoáveis sendo que na maioria das vezes afastam o peixe. O ideal são os mares certinhos com vagas com espaçamento médio a curto que proporcionem um trabalhar contante e regular do mar.

De seguida relato-vos algumas dessas situações em que com mares grandes consegui tirar algum proveito da jornada e não dar como perdido um dia de pesca.


Jornada 1


Neste dia previam ondulação de NW com 2.8m mas no pesqueiro deparei-me com "sets" que passavam os 3 metros. Num pesqueiro que não chega a ter 5 metros de profundidade à maré cheia é muito. Aproveitei as rasas de mar e a pescar fora numa zona de laje/cabeços e consegui nas 3 horas de maré cheia (1 a encher e 2 a vazar) 17 capturas algumas delas de bom tamanho. Foi uma questão de paciência e vantagem de conhecer bem a zona. Quando o mar deixou cada lançamento deu um peixe ou uma picada falhada.


Aqui ficam os 3 maiores (1.650g; 1.500g; 1.100g)





Jornada 2

Neste dia o mar estava o dobro daquilo que se previa. Ondulação na casa do 3 a 3.5 metros só deixaram fazer alguma coisa porque estava em lua nova e com uma amplitude de maré de 3.7m. No espaço de 2 horas consegui 15 capturas a pescar na escoa da forte rebentação com auxilio de uma boa engodagem de um canal que por norma só mete peixe com mar grande. Aqui o facto de na maré-cheia ter uma profundidade na casa dos 8/10 metros facilitou a pesca mas mesmo assim com 2 horas de vazante já era impossivel pescar.

Sargos na casa das 700/800g




Jornada 3

Neste dia foi dos tais que se pescou mesmo no limite. Ondulação de W na casa dos 3 metros num local de 5/6 metros de profundidade à maré cheia. Em 3 horas de pesca devo ter pescado 45 minutos porque o mar rebentado não deixava fazer quase nada em condições. Nas rasadas e lançando para o local certo ainda consegui ferrar 10 sargos todos grandes com 5 deles a partir nas pedras (mesmo a pescar grosso) e outros 5 que consegui tirar.


5 sargos deram 6kg




Um belo exemplar



Por outro lado nestes dias mesmo que não se consiga fazer uma boa pesca uma coisa é certa a beleza do mar nestes dias é inquestionável e só por isso já temos motivos mais do que suficientes para considerar o nosso tempo muito bem empregue.


Cumprimentos
Sérgio Tente
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4 Fazer comentário:

Pedro Nunes disse...

Boas Sergio! K bons "Matateus" k tens aí, explicas bem a diferença de direcção de mar e tamanho para cada pesqueiro, mas ha muita gente k ñ sabe lêr isso, e kuando a previsão é 3m fazam logo um calculo k essa previsão é para todos os pesqueiros, há k ver para k quadrante o pesqueiro está virado e de onde vem a ondulação, se está para subir para descer, se o periodo da vaga aumenta ou diminui, etc... mas isso tem k se ir muitas vezes ao mar e estudar todas essas condiçoes para cada pesqueiro, e as vezes são precisos alguns anos para aprender as condições certas para cada pesqueiro...
Eu ñ pesco à boia, mas pelas conversas k tenho com alguns velhotes locais da costa vicentina, eles kerem é mares grandes :) a bater forte...
Abraço

Sérgio Tente disse...

Boas Pedro,

É verdade em muitos casos são precisas muitas idas aos pesqueiros para os entender. Eu pessoalmente estudo muitoi os locais onde pesco e por isso é que também não deixo de ir quando os mares estão grandes pois sempre me ensinam alguma coisa.
Aí pela Costa Vicentina é normal que se queiram mares grandes para pescar à bóia pois existem pesqueiros para todos os gostos e feitios e muitos deles muito fundos e só com mares grandes possibilitam a capturas dos "matateus".
Aqui pela zona onde pesco a realidade é outra, existem poucos pesqueiros fundos e a maioria são pesqueiros de maré cheia que aguentam pouco mar. A "oferta" aqui é reduzida comparada com o paraiso de pesqueiros que se pode encontrar aí pela zona de Sagres, Vila do Bispo, Pontal da Carrapateira e por aí fora.

Grande abraço

Ramón Montenegro disse...

Muy buen artículo Sergio y muy buenas pescas con esas mareas vivas que no suelen ser muy eficaces para la pesca lo que demuestra tu buen hacer.
Enhorabuena y un abrazo, compañero.

Sérgio Tente disse...

Olá Rámon,

Muito obrigado.
Mesmo com os mares grandes e fortes tento explorar todas as possibilidades de pesca mesmo que muitas vezes seja muito dificil conseguir resultados mas acabamos por aprender sempre qualquer coisa.
Ainda bem que gostou do artigo.

Grande abraço