Metamorfoses - A Libélula

É sem duvida um acontecimento único na natureza, tema para vários livros, base para a ficção cientifica cinematográfica e com muito ainda por explicar.
Quem faz pesca ao Achigã, sabe que as Libélulas, são um dos mais apetecidos alimentos da dieta destes peixes.
A actividade dos Achigãs é bem patente quando se vêm Libélulas a pairar sobre a água.
Muitas marcas as copiam, a River2Sea é uma das que melhor o faz para delicia de muitos
pescadores.
Mas este estranho insecto nem sempre foi o que aparenta, predador e em simultâneo presa, sofreu algumas transformações até chegar a este estado.
Aqui ficam algumas das informações sobre as suas caracteristicas:

* Existem 5.000 espécies de libélula que povoam o mundo inteiro. Apesar das várias denominações vulgares, como lavadeira, cavalinho do diabo, pito, e canzil, seu nome mais comum, libélula, pode ter-se originado dos termos latinos, libellulus, o diminutivo de livro (liber), devido à semelhança de suas asas com um livro aberto, ou libella, que significa balança, e aí o movimento de suas asas, que oscilam levemente durante o vôo, daria respaldo a esta interpretação.
Graças ao fantástico aparelhamento biológico que possui, uma libélula consegue planar, o que é impossível para a maioria dos insectos alados.
Enquanto uma abelha vibra suas asas 4 vezes por segundo e muitos mosquitos imprimem até 8 batidas, a libélula bate suas asas 50 vezes por segundo.
-De acordo com a espécies, o tempo de vôo pode variar de dias, como ocorre com as espécies migratórias que possuem asas mais largas e conseguem planar nas correntes aéreas, a alguns minutos por dia.
-Em média, elas se mantêm voando por 5 a 6 horas diariamente.
-Deve procurar parceiros e acasalar em um prazo máximo de dois meses tempo entre sua última metamorfose, quando de larva se transformou em libélula, e sua morte, que corresponde, em algumas espécies, a menos de 10% de seu tempo total de vida.
-Aparelhada com o maior olho proporcional do reino animal, a libélula usa seu sofisticado aparelho visual como um radar.

-Posicionando-se sempre contra a luz solar, é capaz de detectar movimentos imperceptíveis aos nossos olhos. Em centésimos de segundo, ela identifica se é uma presa, um predador, um rival ou uma possível parceira.
-Os olhos com visão panorâmica e a habilidade de voar verticalmente, contrabalançam esta equação evolutiva, que tem sido favorável às libélulas.
Caçador e caça
-Predadora voraz em seu ambiente, a libélula é capaz de comer 14% de seu peso se alimentando apenas de outros insetos voadores abelhas, moscas, besouros, vespas, outras libélulas menores, pernilongos e até o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue em um único dia de sua curta existência fora da água.
-Vivendo apenas de um a dois meses com suas asas, depois de ter passado até cinco anos no ambiente aquático, ela tem pouco tempo para encontrar parceiros e procriar, antes que um predador a encontre primeiro. -
-Recentes pesquisas demonstraram que um pequeno besouro realiza por dia cerca de 150 vôos, conseguindo um índice de sucesso nas caçadas de 43% e comendo 11% do seu peso. Já a libélula, mesmo com pouco tempo de "brevê", realiza duas vezes mais vôos e tem sucesso em 51% de suas investidas. Enquanto vive na água, a libélula tem de fugir dos sapos, peixes e pássaros. Com asas, ela terá outros inimigos: aranhas, louva-deuses e outros pássaros.

Se tem libélula, a água está limpa

Quem tiver dúvidas quanto à qualidade da água de um rio ou lago pode fazer o "teste da libélula", que consiste na simples observação se há libélulas na área. Todo rio ou lago com águas limpas tem libélula. No entanto, a menor alteração físico-química da água ou do ar já será suficiente para expulsá-las, além de impedir que dos ovos saiam novas larvas.
Na água, a poluição provoca mudanças drásticas em suas características físicas, como os sedimentos em suspensão, e químicas, tais como alteração do PH, da condutividade e do nível de oxigénio dissolvido na água. No ar, ocorrem processos semelhantes, incluíndo as mudanças climáticas.

Duas metades de um só coração
O tempo de procriação pode variar de alguns minutos em pleno voo até várias horas de um acasalamento pousado. O que não muda é a posição insólita em forma de coração, formado pelo corpo retorcido do macho e da fêmea.
Quando o macho está na presença da fêmea, ele precisa encostar seu pénis, localizado no segundo segmento de seu abdómen, no nono (e penúltimo) segmento, onde são produzidos os espermatozóides. Depois de transportar seu próprio esperma até o pénis, o macho segura a fêmea pela cabeça com uma pinça localizada na extremidade de seu corpo. A fêmea, então, faz também um contorcionismo para que seu órgão genital, localizado no penúltimo segmento, encontre o pénis do macho, formando o coração. Depois da fecundação, os ovos são liberados dentro da água ou em alguma planta submersa.
A larva se transforma em avião
(É no estado de larva que serve de alimento a Trutas, eis algumas imitações):

Duas a três semanas depois de postos os ovos, surgem as larvas das libélulas. Começa então um longo ciclo de vida aquática, que, em algumas espécies, pode durar até cinco anos. Em sua existência submersa, a larva se alimentará de microcrustáceos, filhotes de peixes
e outras larvas ela actua como ápice de uma importante cadeia alimentar dos ambientes aquáticos dos rios e lagos e passará por até 15 sucessivas metamorfoses até se transformar em uma naiade, que já se assemelha ao insecto adulto porém se movimenta no meio aquático através de jactos de água que saem pelo recto, como um sifão.

Em um dado momento, atendendo aos chamados de um relógio biológico, cujo mecanismo permanece inexplicado, a naiade faz a transição do meio aquático para o terrestre onde fará sua última metamorfose.
A escalada do trampolim para o novo mundo é feita geralmente à noite, para escapar dos predadores. Subindo pela haste de alguma planta, a larva para de se alimentar e se mantém várias horas imóvel se preparando para a mudança.



A libélula rompe seu último exoesqueleto pelo dorso, liberando primeiro a cabeça e o tórax e depois o abdómen (o processo leva de 30 a 40 minutos). Suas asas, húmidas, precisarão de duas a três horas para se solidificarem em contacto com o ar, quando a libélula estará, então, aparelhada e pronta para descolar.


* Marcelo Szpilman é Biólogo Marinho, Diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor do Informativo do Instituto e autor dos livros Guia Aqualung de Peixes e Seres Marinhos Perigosos.

Para elaborar este artigo recorri a diferentes fontes na net, agradeço o trabalho realizado por todos.

Abraço
Pedro Batalha
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